O que mais nos agrada nos nossos amigos é a atenção que eles nos dedicam". (
Tristan Bernard )

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Com quase 70 anos, vendedor de picolé do Ceará está aprendendo a ler e escrever com garotinha de 9 anos

Francisco Santa Filho é um idoso de 68 anos bastante conhecido na comunidade em que vive como ‘Zezinho’, e reflete perfeitamente os contrastes sociais que podemos encontrar no Brasil. O idoso trabalha vendendo picolé desde os 12 anos de idade, em frente ao colégio particular Diocesano, bastante tradicional no município de Crato, interior do Ceará.

Ele cresceu sem saber ler e escrever, porém, agora essa realidade está mudando, afinal, ele ganhou uma ‘professora’ de apenas 9 anos de idade, chamada Bárbara Matos Costas, que é aluna do colégio e há dois anos está ensinando Zezinho a ler e escrever.

A psicopedagoga Risélia Maria, resolveu fotografar uma das aulas e a foto viralizou logo que ela compartilhou a imagem em seu perfil no Facebook, onde tanto Zezinho, como Bárbara, aparecem bastantes concentrados: “O Zezinho merece um dez!”, elogia a professorinha, que não faz segredo sobre seus métodos de ensino.



“As vezes, eu escrevo uma palavra com tracinhos para ele cobrir, como ‘picolé’ e ‘amor’. Também coloco as letrinhas para ele juntar”, diz ela, que quando crescer sonha em ser veterinária, médica, ou chef de cozinha.

Zezinho celebra seu progresso em meio às aulas com a garota. “Já sei assinar meu nome e juntar algumas letras. Ela me ensina aos pouquinhos e eu vou aprendendo devagar”, relata o vendedor de picolé, que sempre achou que não tinha mais cabeça para aprender.

Francisco nasceu em Crato em 1951 e desde muito novo precisou se sustentar, por isso, escola sempre foi uma realidade bastante diferente pra ele. “Com a repercussão dessa história, estamos montando para ele um material de alfabetização. A professora Risélia também está se dispondo a ensiná-lo. Francisco diz que o tempo dele é corrido por conta dos picolés, mas a Risélia está bem disponível. É só ele querer”, diz a coordenadora pedagógica Nágela Maia.

Muito além de matérias escolares, Risélia destacou o que mais tem aprendido com Zezinho e Bárbara: “Quando eu vi a cena desta aluna ensinando a ele, isso me comoveu muito. Encarei como um aprendizado para mim enquanto educadora. Já era para nós termos tomado a iniciativa de ensiná-lo a ler e a escrever, pois faz muitos anos que ele vende picolé ali nas redondezas do colégio. Eu mesma sou ex-aluna da escola e fui ‘cliente’ dele na infância. Leciono faz mais de 30 anos. Precisou que eu presenciasse aquela cena para me tocar”, finaliza.

Diário do Sertão

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