O que mais nos agrada nos nossos amigos é a atenção que eles nos dedicam". (
Tristan Bernard )

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Com apenas um cemitério, cidade de São Paulo tem mais mortos que vivos

Outra explicação é que o registro de mortes era maior na década de 40, segundo o responsável pela burocracia e administração do cemitério Dirceu Antônio. “Pelos livros antigos na década de 40, morria umas 50 pessoas por mês. Hoje morrem entre 70 a 90 por ano. Morria muita criança porque não se tinha muita noção de medicina”, explica.

A cidade foi fundada em 1928 e o distrito de Fernão emancipou-se de Gália em 1997. Mas até hoje os moradores de Fernão continuam sendo enterrados em Gália, já que a cidade não tem cemitério.

A aposentada Mikiyo Maeda nasceu em Gália, mas foi para São Paulo trabalhar. Depois que se aposentou, ela voltou a morar na cidade do interior e se espantou com a novidade. “Pra mim foi uma surpresa”, conta. Mikiyo é filha de japoneses que vieram para o Brasil e se instalaram em Gália para trabalhar na produção de seda, o grande forte industrial da cidade no século passado.
Ela é uma das pessoas que representa o porquê a cidade, que já teve 20 mil habitantes, esvaziou. Com a crise na produção da seda, as pessoas foram embora de Gália para trabalhar. Ela voltou pelas raízes que tem em Gália e se assustou com a notícia do esvaziamento da cidade. “Dá receio dos jovens estarem saindo da cidade e não permanecerem na cidade e fazê-la crescer, nós vamos diminuir.”

Piada

Mas o assunto também virou brincadeira entre os vizinhos do cemitério como o comerciante Luan Gabriel Jerônimo que conta que tem medo de morar ali. “É estranho ter mais gente aqui no cemitério do que na população inteira. É meio fora do comum”, conta.

O jovem ainda diz que costuma ver algo diferente no cemitério. “Às vezes a gente vê uma movimentação diferente. À noite abre a janela e estranha, dá medo. Acho que deveria até ter segurança maior porque qualquer um pode ter acesso direto, um muro maior, já que no cemitério tem mais gente que na população”, diz.

Já o trabalhador rural Abinoel Pires de Matos, de 60 anos, está bem esperto para não passar para o outro lado do muro. “Fiquei sabendo que morre gente todo dia, não para de morrer. Do jeito que está a cidade com mais mortos do que vivos, provavelmente eu serei o próximo”, brinca.

G1

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